sábado, 6 de fevereiro de 2016

Menos um, mais nós

Não esperem de mim o sorriso
a palavra adocicada
a poesia simples
meu canto é de ódio
ódio de classes
ódio ensanguentado pela injustiça
Nem esperem o verbo longo e descritivo
minha palavra é curta sim! é grossa
um camarada tomba
uma bala na cabeça
uma emboscada
uma traição
somos traídos todo dia pelo patrão
somos embocados nas cadeias, nos manicômios
e até nas escolas
o chão das fábricas, mesmo que pós-modernas,
ainda nos coisificam
e ainda, em pleno século 21,
nos cobram vírgulas nos enfrentamentos
aspas nos eufemismos
menos tinta nas palavras!
Não me peçam que refresque vossa memória
um de nós foi dizimado
muitos de nós todos os dias!
O que nós continuaremos
é atirar(tirar!) contra vós
nossas palavras
nossas liberdades
nossas utopias cercadas de alguma verdade
Nós somos loucos
e os loucos sempre dizem da razão abalada











segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Sobre o recalque político e a (des)graça das minifestações



               Um dos meus irmãos comenta uma postagem numa rede social minha, em que há uma piada acerca das manifestações contra o governo presente. Coloca:" disseram que se chamavam minifestações" O que é risível no Brasil? Tudo! Minha limitação formativa acerca de nossa história não me permite citar de onde veio esse curioso ato sempre de caçoar, zombar, ou zuar de tudo no Brasil! Confesso que me agrada! E confesso também ser uma das minhas atividades favoritas zuar politicamente a direita brasileira, ou até a esquerda chorosa, cristã ou arrogante! Por um lado esse texto vai zuar o recalque político nas ações de grupos de direita ou perdidos no espaço e as cagadas feitas nas minifestações pedindo o que nós, zuadores de plantão chamamos de "impitiman"!
             Os caras e as caras de direita, ou perdidos no espaço político brasileiro, tiveram a pachorra, ou a cara de pau de sair várias vezes nesse último ano com a camisa da CBF, uma instituição sabidamente corrupta, para com a maior safadeza gritar: Fora Dilma e fora corruptos!! Se isso não é pra rir eu não imagino nada mais! A política no Brasil é risível desde os mais remotos tempos, mas tem se mostrado cada dia mais qualificada nisso. Na verdade essa policatizinha dessa direita ruim de serviço é que é a mais engraçada!
            Outra ação que foi bem pontual e bem engraçada foi a eleição em BH do Centro Acadêmico da Faculdade de Direito da UFMG. Os aprendizes de ser direita perderam as eleições e começaram a fazer chacota com os estudantes de esquerda que lutaram pra que esse CA não caísse nas mãos deles, afinal a Universidade quase toda já está a serviço do empresariado, da direita, etc
              É risível ver gente que nunca teve que lavar sua própria roupa, fazer sua própria comida escrever em grupos de watsapp:" perdemos mas andamos de Porshe e vocês que andam de busão seus trouxa?" É risível ver as senhoras da alta sociedade chorando as pitangas no facebook e pedindo a volta da ditadura, a intervenção militar e nos mandando ir para a Venezuela ou Cuba! Quem dera o Brasil fosse uma pitadinha do que é a sociedade e a política desses dois países. E eles deveriam ir e ficar em Miami como diz uma amigo meu! kkkk
                Não se retire o direito de rir do brasileiro! A população quase mais encarcerada do mundo, uma população que é achincalhada historicamente!
                 A direita quando não ganha nessa Constituição fajuta quer ganhar no grito, quer lamentar os pequenos ganhos dos pobres dentro do shopping ou com bonecos de 12 mil reais nas ruas! E que venham memes, charges, piadas e risos, porque como diria o post:" eu tenho é dó dos historiadores no futuro que terão que explicar esse rebosteio todo!!"


Viva o riso!
Viva o fim da piada pronta da direita brasileira!








terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Sobre a Luz depois do estupro

                  Este blog que se colocou sempre à disposição da poesia(algo que a pessoa que escreve nem sabe ser reconhecidamente poesia), agora tenta poeticamente trazer à tona uma certa opinião, um pensamento, uma reflexão acerca de mulheres corajosas, todas nós, todas do mundo.
                  No dia de ontem escrevi um texto triste e bonito, cheio de divagações acerca do filme "Filha da Índia de Leslee Udwin(por razões que só a loucura cibernética explica perdi todo o texto! Fiquei triste! Mas é preciso coragem para retomar o escrito sempre!). O filme é uma doçura em meio à desgraça, uma luz depois do estupro, uma voz(vozes!) que foi silenciada historicamente.
                  Leslee Udwin é uma mulher corajosa, Jyoti Singh, a protagonista, é outra mulher corajosa, todas as mulheres envolvidas nesse documentário, nos remetem à força e coragem que não nos é permitida historicamente, por um mundo que é patriarcal, machista e, claro capitalista! O que reforça a cultura da propriedade privada não só de coisas, mas de pessoas, de corpos, de desejos.
                Jyoti Singh é a coragem de uma indiana que não se submeteu à violência histórica na Índia que reduz mulheres a seres sem importância, que dá menos leite para meninas do que para meninos, que não permite que meninas estudem. Jyoti violou as regras, saiu da linha que o mundo dominado por homens coloca, Jyothi foi além. Com a ajuda dos pais que, como revela um dos amigos dela em entrevista:" eram de família tradicional, mas com pensamento moderno", Jyothi pede que todo o dinheiro que possivelmente pensassem em utilizar para seu casamento investissem em seus estudos. E assim o fizeram! Ela foi estudar medicina. E para que esse texto não vire um "spoiller", sigamos dizendo da grandeza das mulheres...
               Filha da Índia é uma luz para nós mulheres, todas possivelmente vítimas de estupro, todas em situação de risco cotidianamente. Filha da Índia é o grito da miséria diante da acumulação privada. É a voz dos homens também, homens que estupram, que matam e que têm um pensamento extremamente autoritário! Filha da Índia, é preciso repetir sempre o nome, é o codinome da luta das mulheres; que enraivecidas tomam as ruas de várias cidades indianas para protestar contra o que era historicamente aceito. Jyoti morre, mas ela deixa como diria seu pai ao final do documentário:" uma luz não só para a Índia, mas para todo o mundo!"
              Filha da Índia nos aproxima porque somos mulheres e não pedaços de carne expostos num açougue, ou manequins de uma loja. Jyoti é a luz para cada menina, jovem, mulher que precisa se desvencilhar da violência física, mas muitas vezes simbólica! Jyothi é luz!


                       
           




                 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Pelo trabalho-ser

Para uma nova vida de trabalho
pelo trabalho essencial
essência da vida
não da morte
pela não alienação e precarização do ser
pelo ser gente
de outro modo
outro ver
não só mais ter
reter na mente o saber
construir
não só produzir
não só se submeter!



quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Por dentro e por fora dos muros da escola

Dentro do muro tem cola
tem também hora
hora marcada
tempo cronometrado
a escola da vida
a escola sofrida
tem campo de concentração
escola também tem discriminação

Por fora do muro tem administração
tem governo corrupto
arrancando de nós o direito à educação

Lá na grande metrópole
Na São Paulo
Coração/motor do Brasil
existem milhares de jovens
empunhando livro como fuzil

Ocuparam pra mostrar que tem quem queira
sem eira
nem beira
estão morando lá dentro
A polícia, que ora os esculacha na porta
um baseado no bolso
ou um cabelo black ou raspado
Essa agora precisa retirar os que antes não queriam
de dentro da instituição!

Agora o governo ouve?
Agora a mídia publica
Agora a política resolve?

Enquanto a única saída for o grito
Nós temos muito a ver com isso!
E gritamos de fora, pra quem por lá já passou
Agora quem educa são os jovens
Armados de palavras apenas
Armados de corpo
Colocaram o corpo lá dentro!

Agora é vez deles!

Quem se ocupa, nunca se (des)preocupa!













sábado, 7 de novembro de 2015

Minera(dor)a

Eu só tenho a dar minha palavra
Ela é revoltada
Massacrada
Cheia de desespero
Um torpor
Minas e mares só de montanhas
Minério e sangue jorrado
Sangue e vida de trabalhador
Trago um nó na garganta
Uma cisma no peito
Um enfrentamento
Um vigor
Minas de Drummond, mineralizada
Destruída!
Minas, mira és minera-dor...

Zi Reis...

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Sintaxe versada

De punho erguido
ou mão levantada
não me peça um poema
ou uma sintaxe versada

Quero a pluma
quero a pena
a boca escalavrada

Esse nome me veio
por puro deboche
essa sintaxe, sem verso
sem ninguém que a prove(aprove)

Uma semântica sem gosto
uma filologia sem ânimo
Eu quero é o gozo
A faca, o tiro, o sangue
a lâmina-verbo
cortando o rosto revolucionário