terça-feira, 23 de outubro de 2018
Nós sim, eles não
Nós temos medo
Eles também
Nós admitimos
Eles não
Nós seguimos adiante com verdade
Eles não
Nós temos história
eles não
Nós sobrevivemos à outras ditaduras
Eles NEM sabem do que se trata e,
idiotamente
defendem uma
Nós não vamos parar NUNCA
Eles, nem nunca vieram
sexta-feira, 17 de agosto de 2018
Lava jato
Eu queria fazer um conto sobre os meninos que trabalham cedo aqui no bairro
sete da manhã, faz frio, e já estão com botas, mangueira ligada, preparados
lavam carro durante todo o dia
Eu queria ser capaz de contar, como contista mesmo, a profundidade disso
a relevância dessa cena
a barbaridade de não estar em escola ou espaço cultural
talvez não estar vivendo a melhor parte da vida
A vida é jato
passa num átimo
não te deixa pensar muito
a vida se satisfaz em não te deixar saber
Eu quero ser contista para essa cena fazer fissura na vida de quem passa
para que cada pessoa que passe ali
saiba que,
diante daquela cena, ou sob ela
dá-se nesse país
aqui abaixo da Linha do Equador
a matança de jovens como esses meninos da minha rua
Eu queria saber fazer conto-manifesto
poesia-denúncia
para que, pelo menos lendo
alguém entendesse que se fez lava a(à?) jato política
que meninos lavam carro com jato de água
mas que a vida que lhes é tirada
seja no tiro
seja no trabalho forçado
essa vida não é contada
essa vida não conta.
sete da manhã, faz frio, e já estão com botas, mangueira ligada, preparados
lavam carro durante todo o dia
Eu queria ser capaz de contar, como contista mesmo, a profundidade disso
a relevância dessa cena
a barbaridade de não estar em escola ou espaço cultural
talvez não estar vivendo a melhor parte da vida
A vida é jato
passa num átimo
não te deixa pensar muito
a vida se satisfaz em não te deixar saber
Eu quero ser contista para essa cena fazer fissura na vida de quem passa
para que cada pessoa que passe ali
saiba que,
diante daquela cena, ou sob ela
dá-se nesse país
aqui abaixo da Linha do Equador
a matança de jovens como esses meninos da minha rua
Eu queria saber fazer conto-manifesto
poesia-denúncia
para que, pelo menos lendo
alguém entendesse que se fez lava a(à?) jato política
que meninos lavam carro com jato de água
mas que a vida que lhes é tirada
seja no tiro
seja no trabalho forçado
essa vida não é contada
essa vida não conta.
sábado, 28 de julho de 2018
Para criança gostar de comer
Tem comida pra cada sensação
Pra ganhar cada saber
É preciso aprender a gostar de comer
Pra dar afago no coração só bolo de cenoura com cobertura de chocolate
Pra saber matemática, só o maldito agrião
Para as enzimas funcionarem bem
Batata cozida, frita não
E para sorrir, como uma criança num voador balão, um belo prato de macarrão!
Pra conseguir descobrir os mistérios das galáxias, só o chato do jiló! Por isso, porque comi tão pouco, só aprendi os movimentos de rotação e translação.
Agora, pra saber o segredo das palavras, escrever histórias legais, com ponto e travessão, é preciso comer couve, angu e feijão.
E um segredo: tem que comer desde pequeno (a). Não adianta depois de grande não.
É desde muito cedo que o corpo precisa desses alimentos pra entender o que seremos ou não.
Alho, cebola e salsinha pra saber fazer fração.
Beterraba, cenoura e abobrinha pra boa gramática, sintaxe e a tal compreensão.
Acho que só brócolis, berinjela, mostarda amarga, ou alguma comida desconhecida ensina a saber lidar com partituras, clave de sol e compôr uma canção.
E pra fechar uma Marta Rocha, balas, pirulitos pra saber lidar com sons, sinestesia, rima, verso e emoção.
Pra ganhar cada saber
É preciso aprender a gostar de comer
Pra dar afago no coração só bolo de cenoura com cobertura de chocolate
Pra saber matemática, só o maldito agrião
Para as enzimas funcionarem bem
Batata cozida, frita não
E para sorrir, como uma criança num voador balão, um belo prato de macarrão!
Pra conseguir descobrir os mistérios das galáxias, só o chato do jiló! Por isso, porque comi tão pouco, só aprendi os movimentos de rotação e translação.
Agora, pra saber o segredo das palavras, escrever histórias legais, com ponto e travessão, é preciso comer couve, angu e feijão.
E um segredo: tem que comer desde pequeno (a). Não adianta depois de grande não.
É desde muito cedo que o corpo precisa desses alimentos pra entender o que seremos ou não.
Alho, cebola e salsinha pra saber fazer fração.
Beterraba, cenoura e abobrinha pra boa gramática, sintaxe e a tal compreensão.
Acho que só brócolis, berinjela, mostarda amarga, ou alguma comida desconhecida ensina a saber lidar com partituras, clave de sol e compôr uma canção.
E pra fechar uma Marta Rocha, balas, pirulitos pra saber lidar com sons, sinestesia, rima, verso e emoção.
terça-feira, 17 de julho de 2018
Casa
Lixo é quinta e terça à noite
tem que comprar café
O que mais?
Alho. Você comprou feijão?
Você pode fazer faxina comigo na quinta?
Eu gosto de alface
Eu, já prefiro couve
Venceram essas comidas
Compra carne moída, vou fazer quibe, tem trigo para quibe
E esse grão de bico? Não cozinha esse trem!
Xiiiiiii tem que ser na panela de pressão, sô!
Tem arroz para o almoço?
Casa, limpeza comida
Cotidiano.
tem que comprar café
O que mais?
Alho. Você comprou feijão?
Você pode fazer faxina comigo na quinta?
Eu gosto de alface
Eu, já prefiro couve
Venceram essas comidas
Compra carne moída, vou fazer quibe, tem trigo para quibe
E esse grão de bico? Não cozinha esse trem!
Xiiiiiii tem que ser na panela de pressão, sô!
Tem arroz para o almoço?
Casa, limpeza comida
Cotidiano.
quinta-feira, 26 de abril de 2018
Em breve será tarde
Quando os olhos se abrirem
Os ouvidos ouvirem
As bocas falarem
Seria só alarde?
Acontece a canalhice
Mas, revestida de zelo
Não se revoltam
É em nome da segurança, que se esfaqueia a liberdade.
A linha de corte
O limiar do suporte
Inventa-se falsa sobriedade
É penosa a vida de quem do trabalho precisa
Sangra
E morre, ou de sobrevida, vive
A insana luz buscada não chega
Em breve será tarde.
terça-feira, 30 de janeiro de 2018
Não adianta, trabalho!
Se sua mão tem cheiro de água sanitária
Graxa de sapato
Detergente
Tinta de caneta, giz de quadro escolar
Ou caleja com caneta para quadro evoluído
Óleo diesel, ou outro fluido
Ou o que seja para assepsia, o seu nome é trabalho!
Se acordas num horário
dia a dia
Se te esperas um local pra assinar
Um relógio, o de ponto
O seu ser é trabalho
Se te debruças sobre uma mesa
Empilhada de livros
Papéis, artigos para escrever, projetos para se a ver
Promissórias
E por esses papéis tens que prestar contas,
Tu também, o que codificas,
trabalho
Se para comer você precisa
Superar 22 dias, mesmo em casa, no ônibus lotado
Ou teu próprio carro
Mas se alguém te espera, ou espera que cumpra essa via
crucis
Você é trabalho
Se vestes terno, ou saia social
Se o que te espera é o reitor, mesmo sendo professor
universitário!
Ou te mandas o juiz que prega moral,
Você só pode ser trabalho
Se está repleta de partituras tua cama
Se passas o dia a talhar letras e sons
Se a fonética te preocupa
Se é sublingual
Microtonal
Se tua canção precisa de aval
Teu nome nunca prescinde do que seja trabalho!
Se as tintas com que sujas tua mão
Se precisas delas e da tela para acessar o pão
Se esperas a resposta da produção
Tua vida é trabalho!
Ativa-se é na linha de produção?
Se saem dali carros, tecnologia
Mas tem fiscal, encarregado, patrão
Ou se você não pode
ser mais do que é
Será trabalho
Embora o que domina os meios e as engrenagens
Tenha redes de comunicação
Tenha judiciário, tenha lei, tenha tudo ao dispor
De só te fazer trabalho
Ainda que ele te coloque apenas no lugar da submissão
No lugar da entrega do produto
No lugar da reprodução,
mesmo sendo trabalho,
só junto romperá a barreira
e para a contradição
encontrarão atalho.
segunda-feira, 1 de janeiro de 2018
Perguntas
O que você faz quando ninguém está te olhando?
Quantas vezes por semana você lava o seu banheiro?
pra você qual é o cúmulo do absurdo?
quais as drogas você já usou?
quais você ainda gostaria de usar?
o que tem debaixo do seu travesseiro?
a vida vale a pena?
você já desejou morrer?
se sim, já chegou às vias de fato? Tipo, já tentou?
Qual a cor da calcinha que você tá usando?
Porque existem quatro tipos de porquês na língua portuguesa?
Pra quê serve o h, se nem é pronunciado?
você sempre abre os olhos quando acorda?
você já teve vontade de pegar uma muda de roupa e sumir no mundo?
Qual a intensidade de um jato de esperma?
Pra quê arrumar a cama se você vai deitar nela de novo?
Qual o motivo da gente ficar tonto diante de um lugar muito alto ou diante do mar?
Quantos litros de água passam em cada segundo do nas cataratas do Iguaçu?
se você pudesse gritar dentro do hospital você gritaria?
por que letra de médico é garrancho?
e por que médico é doutor sem fazer doutorado?
porque a gente nasce sem dente?
como acontece de a gema não misturar no ovo?
se o cavalo pudesse falar, o que ele diria para quem o monta?
Quantas vezes por semana você lava o seu banheiro?
pra você qual é o cúmulo do absurdo?
quais as drogas você já usou?
quais você ainda gostaria de usar?
o que tem debaixo do seu travesseiro?
a vida vale a pena?
você já desejou morrer?
se sim, já chegou às vias de fato? Tipo, já tentou?
Qual a cor da calcinha que você tá usando?
Porque existem quatro tipos de porquês na língua portuguesa?
Pra quê serve o h, se nem é pronunciado?
você sempre abre os olhos quando acorda?
você já teve vontade de pegar uma muda de roupa e sumir no mundo?
Qual a intensidade de um jato de esperma?
Pra quê arrumar a cama se você vai deitar nela de novo?
Qual o motivo da gente ficar tonto diante de um lugar muito alto ou diante do mar?
Quantos litros de água passam em cada segundo do nas cataratas do Iguaçu?
se você pudesse gritar dentro do hospital você gritaria?
por que letra de médico é garrancho?
e por que médico é doutor sem fazer doutorado?
porque a gente nasce sem dente?
como acontece de a gema não misturar no ovo?
se o cavalo pudesse falar, o que ele diria para quem o monta?
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