sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Metapoema anti-machismo




Existe o machismo-absurdo
O machismo-solteiro
O machismo-altaneiro
O machismo-libertário
E o machismo-operacional
Também o machismo-chefe
O machismo-cheque
O machismo-pai
O machismo-irmão, marido, namorado
O machismo-amor fatal
Ora aparece o machismo-infame
O machismo-modus operandi
O machismo-surto
E o machismo-ambulatorial
Outras vezes atacam o machismo-culto
O machismo-insulto
E CLARO, o machismo-intelectual!
Muitas, milhares de vezes o machismo-estupro
O machismo-amigo
O machismo-enternado
E o machismo-sexual
Sempre é preciso lutar
Contra todo machismo
Tem machismo-clínico
Machismo-psiquiátrico
Machismo-psicanalítico
O machismo-POLÍTICO
Machismo-ocupacional
O machismo-exploração trabalho
O machismo-operário
O machismo-telemarketing
E o machismo-profissional liberal
Tem machismo-professor
Machismo-zombador
Machismo-sutil
Machismo-comédia
Machismo-épico, trágico, ESTRUTURAL!
A mulher aprende a entender de machismo
Operando a rima
Destituindo a sina!
Saindo do patriarcado
Do capitalismo
E do poder secular homem fálico razão-emocional






quinta-feira, 25 de agosto de 2016

O sur(S)to!

vai aparecer como um surto
vai alucinar todo mundo
não vai dar tempo para pensar
vai ser ou sim ou não
de que lado você vai ficar?

vai acontecer de súbito
vai ser o nosso insulto
não vai ter pena
nem espera

a hipocrisia
não vai ser mais a vera

vai desbancar filosofia
vai desequilibrar teorias

o que vem de baixo não assim se opera
não joga o seu joguinho
não pondera

vai ser explosão
vai ser terremoto
terrorismo no seu sonho sólido

o que achavas certo desmanchará
o que tinha como certo
infalível
desmoronará!



terça-feira, 23 de agosto de 2016

Um rio vermelho



Há um rio vermelho dentro da gente
Estanque esse rio nos mata
Em movimento leva a essência da vida
Há uma água encarnada ou púrpura
Por sempre na gente
Esse líquido viscoso
Escorrido por cortes
Vazando por balas que explodem
Há uma força que emana
Quando somos a gente
Nas veias
Nas linfas, se veneno ou líquido-vida
Absurdo obscuro
Se ser quem é a gente

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Tem gente que vai muito cedo

Tem gente que decide ir embora muito cedo
tem gente que não vive uma vida simples
uma vida sem viço
uma vida viciada em viver

Tem gente que vive tanto a própria vida
que não pode ficar por muito tempo
Há tanta vida na vida de algumas pessoas
que o tempo vira elástico!

Nenhuma palavra explica a vivência
de quem vive com inocência
mas com força e com graça!

Há um tipo de pessoa
que só com poesia se fala de sua vida
é um viver de uma forma tão enriquecida
que o vocabulário nos falta

A falta da pessoa se renova em memória
em imagem!
em muita vida encolhida em pouco tempo
porque nós que ficamos
sem muita escolha
contaremos histórias dessa sua vida





sábado, 30 de julho de 2016

Poesia quase a dois


Assim como se estivesse num quarto escuro
Com medo da luz chegar
Como se ansiasse pelo momento
Mas estivesse apavorado
Com sua iminência
Como se a simples possibilidade
De ser feliz
lhe causasse pânico
ou fosse quase
o contra-senso de si mesmo




terça-feira, 26 de julho de 2016

O propósito de esquecer

Ou poderia chamar também esquecer de propósito!
Porque hoje eu resolvi esquecer propositadamente o celular em casa, esquecer as redes sociais logo após esse escrito, esquecer qual a regra ensinaram-se ou tentaram me ensinar na Letras e classificar isso aqui na teoria literária.
Resolvi faz tempo esquecer quem só atrasa a vida da gente, quem espera retorno mas se dá muito pouco. Resolvi esquecer o regramento social faz tempo e falar palavrão, até em lugares onde as pessoas, familiares ou amigos, não os possa suportar.
Esquecer das mentiras que me contaram e das que contei, talvez teriam sido poucas e a troa foi injusta.
Quero esquecer o que causa tanta angústia, andar ali na rua, comprei um pão e algo para beber; e mais tarde, passada uma tarefa de trabalho/pesquisa permitirei tomar uma cerveja e esquecer que demorei mais de seis horas para conseguir chegar na cidade que moro, lembrando que da cidade que venho até ela, geralmente se gasta uma hora e meia nas caronas solidárias por um preço mais baixo, mas houve um cara nada solidário que, tentando enganar-se com um engarrafamento inexistente deixou-me esperando por ele duas horas e meia. Agora boba que não sou deixei-o também, mas não tão propositadamente(acabou a bateria do celular) e fui noutra carona ainda mais solidária!
Quero esquecer que a vida passa depressa, e ir indo, aproveitando o que dá.
Com o propósito de esquecer eu falo em uma sessão semanal de psicanálise e nesses retornos e esquecimentos vou lembrando que em anos de luta, em décadas de estudos, acadêmicos ou não, nunca tive agenda para me lembrar de nada, e nunca esqueci de nenhum compromisso, se isso não é adoecimento o que seria? Por isso tratar de(para!) esquecer.

Esquecer é a meta do cérebro para proporcionar saúde mental, lembrar pode ser perigoso. Esquecer é não precisar mais elocubrar, não mais divagar coisas que podem mais retroceder e menos avançar.

A única coisa que não pretendo esquecer é a condição de classe e o tipo de sociedade que AINDA, ainda vivo, em breve ou não, nas lutas para esquecê-la, construiremos outra.



terça-feira, 19 de julho de 2016

De época


Quando o vento de julho e agosto começa a cortar o céu vão subindo umas coisas coloridas, cheias de rabos, cheias de formatos, dos mais divertidos, dos mais criativos, parece que o tempo, a época da vida muda. O tempo já não é o mesmo do restante do ano, é tempo de olhar para o céu...
Teve um tempo que indo acompanhar minha mãe à casa de uma amiga, para um assunto bem doloroso, o neto dessa amiga dela saiu desarvorado de dentro de casa. Ela gritou:

“ Onde você pensa que vai menino?”

Ele:” Vou soltar papagaio*!”

Meu coração fez uma viagem longa à década de oitenta e diante daquela fala me dispus prontamente:

“ Deixa Marta eu vou com ele!”

Era impossível não ceder àquela frase:” Vou soltar papagaio!” Vinda, apenas de um menino de cinco anos! Como pode não passar pela cabeça de um pequeno que um carro pode matá-lo, que alguém pode roubá-lo, que ele pode tomar um choque com a linha nesses postes encrenqueiros da cidade?
Quem ia querer pensar em morte, medo, traumas diante de um possível vento, diante de um papel, recortado de forma geométrica, com um rabo, seguro por uma linha subindo aos céus? Só mesmo minha cabeça adulta ia fazer essa digressão disciplinada!
E lá nos fomos, mas era outra época, não era julho, nem agosto e não havia vento! Meu desejo se misturou ao de Gabriel e nem lembrei de avisá-lo que, sem vento, nada iria ao céu...talvez um avião...mas um papagaio não!
As pessoas cumprimentavam Gabriel: ”Oi!” Ele respondia olhando para o céu. Outros:” Onde você vai com esse papagaio menino?”
A nossa vontade era tanta que, só no momento em que eu segurava para que ele empinasse me lembrei:” Não vai subir! Não tem vento, não é a época!” Mas eu não disse nada, deixei que ele tentasse empinar, que corresse, que se desdobrasse...seria maldade minha? Creio que não! E lá se foi Gabriel! O papagaio soltou das minhas mãos e voou um pouco logo indo ao chão.
Ele me olhou um pouco decepcionado, estávamos longe, fui até ele e disse:” Não tem vento, não é a época ainda...”

Ele me olhou com olhos de quem sabe que a época vai chegar e disse:” Ah! Mas deixa chegar a época!”


Quase como um desafio, como uma esperança, e como alguém que, quando chegar a época estará preparado!




* em outros lugares do Brasil se diz pipa, e para achar no google a imagem só com "pipa",agora em Minas Gerais é papagaio!!